“Ora, a fé é a substância das coisas pelas quais esperamos, a evidência das coisas não vistas.” BKJ — Hebreus 11:1
“Há o perigo de considerar que a justificação pela fé concede algum mérito à fé. Quando aceitamos a justiça de Cristo como um dom gratuito somos justificados gratuitamente por meio da redenção de Cristo. Que é fé? “O firme fundamento das coisas que se esperam e a prova das coisas que se não vêem.” Hebreus 11:1. É uma aprovação do entendimento às palavras de Deus que leva o coração a uma voluntária consagração e serviço a Deus, o qual deu o entendimento, o qual sensibilizou o coração, o qual primeiro levou a mente a contemplar a Cristo na cruz do Calvário. Fé é entregar a Deus as faculdades intelectuais, submeter-Lhe a mente e a vontade e fazer de Cristo a única porta de entrada no reino dos Céus. Fé e Obras 22.2
“Quando os homens aprendem que não podem obter a justiça pelo mérito de suas próprias obras e olham com firme e inteira confiança para Jesus Cristo como sua única esperança, não haverá tanto do próprio eu e tão pouco de Jesus. Almas e corpos são maculados e poluídos pelo pecado, o coração é alienado de Deus, contudo muitos estão-se debatendo, em sua própria força finita, para conquistar a salvação por boas obras. Jesus, pensam eles, efetuará uma parte da salvação, e eles precisam fazer o resto. Necessitam ver pela fé a justiça de Cristo como sua única esperança para o tempo e para a eternidade. Fé e Obras 22.3
Mesmo na época de Jesus, alguns pediam um sinal de que Ele era de fato o Filho de Deus, embora muitos sinais já tivessem sido dados. Como Jesus respondeu? Leia Mc 8:11, 12
“Cada milagre operado por Cristo, foi um sinal de Sua divindade. Estava fazendo a própria obra predita acerca do Messias; mas para os fariseus estas obras de misericórdia eram um positivo escândalo. Os guias judaicos olhavam com cruel indiferença aos sofrimentos humanos. Em muitos casos, seu egoísmo e opressão haviam causado a dor que Jesus aliviava. Assim, Seus milagres eram um opróbrio para eles. DTN 285.1
“O que levava os judeus a rejeitarem a obra do Salvador, era a mais alta demonstração de Seu caráter divino. A maior significação de Seus milagres manifesta-se no fato de serem feitos para benefício da humanidade. A mais alta prova de que veio de Deus, é revelar Sua vida o caráter divino. Ele fez as obras e falou as palavras de Deus. Tal vida é o maior de todos os milagres. DTN 285.2
“Quando se apresenta em nossa época a mensagem da verdade, há muitos que, como os judeus, exclamam: “Mostrai-nos um sinal. Operai-nos um milagre.” Cristo não operou nenhum milagre a pedido dos fariseus. Não fizera milagre algum no deserto, em resposta às insinuações de Satanás. Não nos comunica poder para nos vindicarmos a nós mesmos ou satisfazer às exigências da incredulidade e do orgulho. Mas o evangelho não deixa de mostrar o sinal de sua origem divina. Não é um milagre que nos possamos libertar do cativeiro de Satanás? A inimizade contra Satanás não é natural ao coração humano; é implantada pela graça de Deus. Quando a pessoa que era dominada por uma vontade obstinada e má é posta em liberdade, e se entrega de todo o coração à influência dos celestiais instrumentos de Deus, opera-se um milagre; assim também quando um homem esteve sob o poder de forte ilusão, e chega a compreender a verdade moral… Uma vida coerente em Cristo, é grande milagre. Na pregação da Palavra de Deus, o sinal que se devia manifestar então e sempre, é a presença do Espírito Santo a fim de tornar a palavra uma força regeneradora para os que a ouvem. Esta é a testemunha de Deus perante o mundo, quanto à divina missão de Seu Filho. DTN 285.3
“Os que desejavam um sinal da parte de Jesus estavam com o coração tão endurecido na incredulidade que não Lhe discerniam no caráter a semelhança de Deus. Não viam que Sua missão se achava em harmonia com as Escrituras. Na parábola do rico e Lázaro, Jesus disse aos fariseus: “Se não ouvem a Moisés e aos profetas, tampouco acreditarão, ainda que algum dos mortos ressuscite”. Lucas 16:31. Nenhum sinal dado no céu ou na terra os beneficiaria.” DTN 285.4
Compare como Jesus descreveu a fé de Seus discípulos em Marcos 4:40 com a fé da mulher de Mateus 15:21-28.
“Como Jesus descansou pela fé no cuidado do Pai, assim devemos repousar no de nosso Salvador. Houvessem os discípulos confiado nEle, e ter-se-iam conservado calmos. Seu temor, no tempo do perigo, revelava-lhes a incredulidade. Em seu esforço para se salvarem, esqueceram a Jesus; e foi apenas quando, desesperando de si mesmos, se voltaram para Ele, que os pôde socorrer. DTN 233.2
“O Salvador fica satisfeito. Provou-lhe a fé nEle. Por Seu trato com ela, mostrou que aquela que era tida como rejeitada de Israel, não mais é estranha, mas uma filha na família de Deus. Como filha, tem o privilégio de partilhar das dádivas do Pai. Cristo assegura-lhe então o que pede, e conclui a lição dada aos discípulos. Voltando-se para ela com olhar de compaixão e amor, diz: “Ó mulher! grande é a tua fé: seja isso feito para contigo como tu desejas.” E desde aquela hora a sua filha ficou sã. Não mais o demônio a perturbou. A mulher partiu reconhecendo o Salvador, e contente com a certeza da resposta ao seu pedido.” DTN 281.1
Leia Lucas 7:1-10. O que esse relato nos ensina sobre a fé?
“Os anciãos judeus que haviam recomendado o centurião a Cristo, tinham mostrado quão longe estavam de possuir o espírito do evangelho. Não reconheciam que nossa grande necessidade é nosso único título à misericórdia divina. Em sua justiça própria, louvaram o centurião por causa do favor que manifestara para com “nossa nação”. Mas o centurião disse de si mesmo: “Não sou digno.” Seu coração fora tocado pela graça de Cristo. Viu a própria indignidade; não temia, no entanto, pedir auxílio. Não confiava na própria bondade; o argumento que apresentava era sua grande necessidade. Sua fé apegou-se a Cristo em Seu verdadeiro caráter. Não cria nEle apenas como operador de milagres, mas como o amigo e salvador da humanidade. DTN 218.2
“É assim que todo pecador, se deve aproximar de Cristo. “Não pelas obras de justiça que houvéssemos feito, mas segundo a Sua misericórdia, nos salvou”. Tito 3:5. Quando Satanás vos diz que sois pecador, e não podeis esperar receber bênçãos de Deus, dizei-lhe que Cristo veio ao mundo para salvar pecadores. Nada temos que nos recomende a Deus; mas a justificação em que podemos insistir agora e sempre, é nossa condição de completo desamparo, o qual torna uma necessidade Seu poder redentor. Renunciando a toda confiança própria, podemos olhar à cruz do Calvário e dizer: DTN 218.3
“‘O preço do resgate eu não o tenho;
à Tua cruz prostrado me sustenho.’
“Os judeus haviam sido instruídos desde a infância, quanto à obra do Messias. Pertenciam-lhes as inspiradas declarações dos patriarcas e profetas, bem como o simbólico ensino do serviço sacrifical. Haviam, porém, desprezado a luz; e agora nada viam em Jesus de desejável. Mas o centurião, nascido no paganismo, educado na idolatria de Roma imperial, instruído como soldado, aparentemente separado da vida espiritual pela educação e o ambiente, e ainda mais excluído pelo fanatismo dos judeus, e pelo desprezo de seus patrícios pelo povo de Israel — esse homem distinguiu a verdade a que eram cegos os filhos de Abraão. Não esperou para ver se os próprios judeus receberiam Aquele que Se dizia o seu Messias. Ao brilhar sobre ele “a luz verdadeira, que alumia a todo o homem que vem ao mundo” (João 1:9), havia, embora afastado, discernido a glória do Filho de Deus.” DTN 218.4
Leia Efésios 2:8. Qual o papel da fé na salvação? Por que é impossível dizer: “Não tenho fé porque Deus não me deu isso”?
“O pensamento de que a justiça de Cristo nos é imputada, não por algum mérito de nossa parte, mas como um dom gratuito de Deus, é um precioso pensamento. O inimigo de Deus e do homem não quer que esta verdade seja claramente apresentada; pois sabe que, se o povo a aceitar plenamente, está despedaçado o seu poder. Se ele pode dominar a mente de maneira que a dúvida e a incredulidade e as trevas constituam a experiência dos que professam ser filhos de Deus, ele os pode vencer com a tentação. OE 161.1
“Aquela fé simples, que toma a Deus em Sua palavra, deve ser estimulada. O povo de Deus deve ter aquela fé que lança mão do poder divino; “porque pela graça sois salvos por meio da fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus”. Efésios 2:8. Os que crêem que Deus, por amor de Cristo, lhes perdoou os pecados, não devem, pela tentação, deixar de prosseguir em combater o bom combate da fé. Sua fé deve-se tornar mais forte, até que sua vida cristã bem como suas palavras, declarem: “O sangue de Jesus Cristo... nos purifica de todo o pecado.” 1 João 1:7.” OE 161.2
“Freqüentemente surge a questão: Por que, pois, há tantos pretensos crentes na Palavra de Deus, nos quais não se vê uma reforma na linguagem, no espírito e no caráter? Por que há tantos que não podem sofrer oposição a seus propósitos e planos, que manifestam temperamento não santificado, e cujas palavras são rudes, insultuosas e apaixonadas? Vê-se em sua vida o mesmo amor-próprio, a mesma condescendência egoísta, a mesma índole e linguagem precipitada, vistos na vida do mundano. Há o mesmo orgulho sensitivo, a mesma entrega ao pendor natural, a mesma perversidade de caráter, como se a verdade lhes fosse inteiramente desconhecida. A razão é que não são convertidos. Não esconderam no coração o fermento da verdade. Não teve ele oportunidade de realizar sua obra. Suas tendências naturais e cultivadas para o mal não foram subjugadas a seu poder transformador. A vida dessas pessoas revela a ausência da graça de Cristo, uma descrença em Seu poder de regenerar o caráter. PJ 44.4
“‘A fé é pelo ouvir, e o ouvir pela Palavra de Deus.’ Romanos 10:17. As Escrituras são o grande veículo na transformação do caráter. Cristo orou: “Santifica-os na verdade; a Tua Palavra é a verdade.” João 17:17. Estudada e obedecida, a Palavra de Deus atua no coração, subjugando todo atributo não santificado. O Espírito Santo vem para convencer do pecado, e a fé que brota no coração opera por amor a Cristo, conformando-nos em corpo, alma e espírito à Sua própria imagem. Então Deus pode usar-nos para fazer Sua vontade. O poder a nós concedido atua no interior para o exterior, levando-nos a transmitir a outros a verdade que nos foi comunicada.” PJ 45.1
Dedique algum tempo hoje ao estudo de Hebreus 11, o grande capítulo da fé. Leia-o em voz alta primeiro, sem parar. Depois, leia-o uma segunda vez e anote suas reflexões sobre as seguintes questões:
Quem entrou na terra prometida? – Todos, exceto os que murmuravam. Você acha que pode alimentar o mesmo espírito de murmuração e reclamação e, apesar disso, receber o selo? – Que absurdo esse pensamento! Quão injusto seria para um Deus justo destruir os desobedientes daquela época, mas salvar os desobedientes de hoje.
O que tornou um grupo elegível para cruzar o Jordão? – Foi a confiança deles em Deus, reconhecendo-O como seu Líder Supremo. Eles viam em Moisés e Josué os canais pelos quais Deus lhes falava. Não os consideravam outra coisa senão aquilo que realmente eram. Estavam conformes com sua sorte. Aceitavam as ordens tal como eram dadas. Foi assim que eles foram os únicos a entrar na terra.
Tendo esses exemplos diante de nós, essa imagem para nos guiar, posso dizer com confiança se estou indo para o Reino ou se estou indo para as profundezas da terra (Ap. 12:16). E tenho certeza de que você também pode saber aonde está indo. O Senhor não exige de nós mais nem menos do que exigiu de nossos antepassados. Não há, portanto, mistério quanto ao que devemos fazer e ao que não devemos fazer para receber o selo de Deus.
Não precisamos ir a uma terra de maravilhas, não precisamos alimentar a ideia de que devemos ter um sentimento misterioso, uma emoção arrebatadora, não precisamos nos revolver na poeira ou pular até o teto. Não, não precisamos nos fazer de tolos. Tudo o que precisamos é ser nós mesmos. Ser seres calmos, decentes, respeitáveis, semelhantes aos do céu, esforçando-nos para fazer a vontade de Deus na terra como é feita no céu. Não precisamos nos exibir; precisamos cuidar dos ofícios que Deus nos deu e não nos intrometer nos assuntos alheios.
Somente quando tivermos feito tudo o que pudermos para cumprir os requisitos da mensagem de hoje, e não da de ontem, seremos selados e estaremos com o Cordeiro no Monte Sião.
Não deveríamos nos alegrar pelo fato de que, ao mesmo tempo em que somos convidados para o Reino, também nos é mostrado como chegarmos lá? Vendo isso, nunca devemos permitir que nossa confiança em Deus enfraqueça. Devemos ser constantes, firmes em tudo, sem que nos falte nada. Os servos de Deus da última hora, diz a Inspiração, devem ser “um povo grande e forte; nunca houve outro semelhante, nem haverá outro depois dele” (Joel 2:2). Eles sabem no que creem e creem no que sabem. Acima de tudo, sabem que são guiados por Deus, não pelo homem.
Eles não são como os fariseus que erguiam monumentos em memória dos profetas mortos (Mt 23:29-31) e, ao mesmo tempo, matavam os vivos! Com essa luz brilhando em nosso caminho, os capítulos 3, 4, 10 e 11 de Hebreus tornam-se autoexplicativos.
Leia Apocalipse 14:12. O que significa a “fé de Jesus”?
“Se queremos ter o espírito e poder da terceira mensagem angélica, temos de apresentar a lei e o evangelho juntos, pois eles andam de mãos dadas. À medida que um poder de baixo está incitando os filhos da desobediência para anular a lei de Deus, e pisar a verdade de que Cristo é nossa justiça, um poder de cima está operando no coração dos leais, para exaltarem a lei, e erguerem a Jesus como Salvador completo. A menos que o poder divino seja trazido para a experiência do povo de Deus, falsas teorias e ideias tornarão a mente cativa, Cristo e Sua justiça serão eliminados da experiência de muitos, e sua fé ficará sem poder ou vida.” OE 161.3
Leia Mateus 26:36-42. O que esse momento crucial nos revela sobre a fé de Jesus?
“Contemplai-O considerando o preço a ser pago pela alma humana. Em Sua agonia, apega-Se ao solo frio, como a impedir de ser levado para longe de Deus. O enregelante orvalho da noite cai-Lhe sobre o corpo curvado, mas não atenta para isso. De Seus pálidos lábios irrompe o amargo brado: “Meu Pai, se é possível, passe de Mim este cálice.” Mas mesmo então acrescenta: ‘Todavia não como Eu quero, mas como Tu queres’”. Mateus 26:39. DTN 486.1
“Três vezes proferiu essa oração. Três vezes recuou Sua humanidade do último, supremo sacrifício. Surge, porém, então, a história da raça humana diante do Redentor do mundo. Vê que os transgressores da lei, se deixados, têm de perecer. Vê o desamparo do homem. Vê o poder do pecado. As misérias e os ais do mundo condenado erguem-se ante Ele. Contempla-lhe a sorte iminente, e decide-Se. Salvará o homem custe o que custar de Sua parte. Aceita Seu batismo de sangue, para que, por meio dEle, milhões de almas a perecer obtenham a vida eterna. Deixou as cortes celestiais, onde tudo é pureza, felicidade e glória para salvar a única ovelha perdida, o único mundo caído pela transgressão. E não Se desviará de Sua missão. Tornar-Se-á a propiciação de uma raça que quis pecar. Sua prece agora respira apenas submissão: ‘Se este cálice não pode passar de Mim sem Eu o beber, faça-se a Tua vontade’”. Mateus 26:42. DTN 488.2
“Deus requer que confessemos nossos pecados e perante Ele humilhemos o coração; devemos, porém, ao mesmo tempo ter confiança nEle como um terno Pai, que não abandona aqueles que nEle põem a confiança. Muitos dentre nós andam pela vista, e não pela fé. Cremos nas coisas que se vêem, mas não avaliamos as preciosas promessas que nos são dadas na Palavra de Deus; e, no entanto, não podemos desonrar a Deus mais decididamente do que mostrando que desconfiamos do que Ele diz e pomos em dúvida se o Senhor é sincero para conosco ou nos está enganando. Fé e Obras 31.2
“Deus não Se desanima conosco por causa de nossos pecados. Podemos cometer erros e ofender o Seu Espírito; mas quando nos arrependemos e vamos ter com Ele com o coração contrito, Ele não nos faz voltar. Há empecilhos a serem removidos. Têm-se acariciado sentimentos errados, e tem havido orgulho, presunção, impaciência e murmurações. Tudo isso nos separa de Deus. Os pecados devem ser confessados; tem de haver mais profunda obra de graça no coração. Os que se sentem fracos e desanimados podem tornar-se fortes varões de Deus e fazer nobre trabalho pelo Mestre. Devem, porém, trabalhar de um ponto de vista elevado; não devem ser influenciados por quaisquer motivos egoístas.” Fé e Obras 31.3